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Construtor de ninhos de bolhas 


· A preparação para o acasalamento
· O Acasalamento
· Comportamento nupcial
· Eclosão dos ovos
· Aquários de reprodução
· Relação entre a construção e a temperatura


A maioria dos peixes que constroem ninhos de bolhas de ar pertencem à família dos Anabantídeos, se bem que nem todos os Anabantídeos construam ninhos de bolhas de ar e nem todos os construtores de ninhos de bolhas de ar sejam Anabantídeos. Regra geral, o ninho é construído pelo macho, e consiste num aglomerado de bolhas de ar. De vez em quando é ajudado pela fêmea. O construtor do ninho engole ar, envolve-o com um líquido viscoso que contém na boca e solta-o lentamente para a superfície do aquário. É frequente verem-se algumas bolhas de ar junto dos cantos do aquário, sobretudo quando este contém peixes construtores destes ninhos.
O aquariofilista inexperiente pode julgar mal essas bolhas constituem um ninho, mas quem já viu um ninho de bolhas de ar não pode fazer essa confusão. Um Betta de 5 cm chega a construir um ninho de 25 cm de diâmetro e de cerca de 1,5 cm de espessura!
Muitos dos Anabantídeos precisam de uma temperatura relativamente elevada e constante. Se bem que haja excepções, como o Macropodu, opercularis (Peixe do paraíso), que pode sobreviver a temperaturas de 4.5 °C a maioria destes peixes prefere uma temperatura superior aos 23° C. A temperatura ideal para a água do aquário de reprodução de Anabantídeos é da ordem dos 26 °C; é a essa temperatura que os peixes apresentam cores mais vivas e são mais activos. O Peixe do paraíso constitui ainda noutro aspecto uma excepção à regra geral, na maioria dos casais de reprodutores da reprodução, o pai e a mãe colaboram na construção do ninho e nos cuidados protegendo aos alevins. Não tentavam devorá-los quando estes cresciam e deixavam de precisar dos cuidados paternos, antes procediam a uma nova desova e cuidavam dos respectivos alevins enquanto os primeiros continuavam a desenvolver-se no aquário. Num aquário grande, de 200 ou 250 litros, podem juntar-se centenas de peixes de todos os tamanhos, que nadam de um lado para o outro enquanto os pais guardam os alevins numa série de ninhos agrupados num canto do aquário. Este peixe perde no entanto parte da sua popularidade como peixe de aquário comunitário, devido aos seus hábitos agressivos para com peixes de outras espécies, só pode ser mantido juntamente com peixes do seu tamanho ou maiores.
O mais conhecido de todos os Anabantídeos é o Betta splendens. No seu habitat natural este peixe tem um aspecto insignificante, a reprodução seleccionada permite no entanto obter exemplares de cores e barbatanas esplendorosas, embora só o macho apresente essas cores e essas formas. A fêmea é sempre insignificante. De vez em quando há recessões e os machos não apresentam as barbatanas e a cauda compridas que normalmente os caracterizam, regressando à aparência dos seus antepassados selvagens. Os machos desprovidos de barbatanas compridas dificilmente se distinguem das fêmeas. Uma das maneiras de diferençar os sexos destes peixes, quando têm barbatanas curtas, consiste na observação do seu comportamento. Os Bettas têm um comportamento hereditário muito ritualizado. Quando dois Bettas nadam um em direcção ao outro, a fêmea vira-se sempre de lado. É esta postura que permite ao macho distinguir a fêmea e comportar-se em conformidade. Quando é um macho que se aproxima, nada de frente, com as guelras abertas. É um desafio, e, depois de uma dança ritual, começa a luta.


A preparação para o acasalamento


Os Bettas que estão a ser condicionados para a reprodução não podem ser mantidos num mesmo aquário dividido ao meio ou em aquários próximos um do outro, em que os peixes dos dois sexos se possam ver. Se possível, devem ser postos em aquários separados, a uma temperatura de 24 °C. Dois dias antes de se juntarem os machos e as fêmeas deve elevar-se a temperatura da água para os 26 °C. O pH não parece afectar a reprodução. Os Bettas desovam em águas de pH compreendido entre os 6,6 e os 7,4. Estes peixes não podem ser condicionados com comida seca. Se bem que a fome os leve a aceitá-la, só podem atingir uma boa forma física se receberem também alimentos vivos ou um substituto adequado.
O macho começa a construir o ninho de bolhas de ar quando está em boas condições físicas, mesmo na ausência da fêmea. O ovipositor da fêmea um pequeno ponto branco forma uma protuberância visível entre o par de barbatanas ventrais. Torna-se mais proeminente à medida que a fêmea se apronta para a reprodução. Quando se junta no mesmo aquário um casal de Bettas aptos para a reprodução, os peixes assumem um comportamento nupcial muito específico. Podem juntar-se os peixes assim que estão preparados para a desova. O criador experiente começará no entanto por os colocar num mesmo aquário dividido em duas secções, de modo a que se vejam mas se não possam juntar, durante alguns dias, o que estimula o seu ardor sexual.



O Acasalamento


A excitação do macho quando vê a fêmea constitui um espectáculo muito interessante. O macho nada em direcção ao par com as barbatanas muito estendidas, as guelras abertas e as cores avivadas pela emoção. Se a fêmea está pronta para o receber, a sua cor intensifica-se também e aparecem-lhe no corpo linhas verticais claras, em ziguezague. Movendo apenas as barbatanas peitorais e mantendo as outras barbatanas rígidas, volta-se para o macho e executa uma espécie de dança ondulante. O macho faz vibrar o corpo para exibir as suas cores e nada em direcção ao ninho. Se a fêmea não está pronta para a reprodução, a cor do seu corpo empalidece à aproximação do macho e as linhas escuras horizontais acentuam-se. Foge do macho, que a persegue furioso, tentando agredi-la com a cauda. Convém colocar no aquário de reprodução um maciço denso de plantas, onde a fêmea relutante possa refugiar-se. De outra maneira pode ser morta antes que o criador tenha possibilidade de a tirar do aquário.
Uma vez por outra a fêmea muda de ideias e sai do maciço onde se escondera, assumindo as cores intensas e o comportamento indicativos da aceitação do macho. O macho nada com movimentos bruscos em direcção ao ninho e a fêmea segue logo atrás. Por vezes a fêmea percorre uma pequena distância atrás do macho e pára. Nesse caso, o macho volta para trás e exibe-se novamente em frente dela, tentando persuadi-la a segui-lo.



Comportamento nupcial


Quando se dirige para o ninho, o macho vira-se por vezes de repente e ataca a fêmea, rasgando-lhe frequentemente as barbatanas. Esta desvia-se para o lado e espera que o macho regresse ao seu caminho, assumindo então novamente a sua posição atrás e um pouco abaixo dele. Este comportamento contrasta com o do macho quando a fêmea o não aceita. Nessa altura o macho persegue a fêmea de perto e com grande agressividade, não lhe dando tréguas. A menos que ela consiga refugiar-se rapidamente num maciço de plantas, passa um mau bocado. Quando tudo corre bem, o macho pára ao chegar ao ninho. Vira-se para a fêmea, desliza em direcção a ela e, envolvendo-a com o corpo, dá-lhe o seu abraço nupcial. Durante esse abraço as barbatanas do macho tremem de violenta emoção. Depois de ter abraçado assim a fêmea durante alguns segundos, deixa-a e desce em busca dos ovos libertados por ela e fertilizados durante esse abraço. A fêmea flutua imóvel em direcção à superfície.
O macho apanha rapidamente os ovos na boca e sopra-os suavemente em direcção ao ninho, envolvidos numa bolha de ar. Quando a fêmea recomeça a mover-se e a nadar em direcção ao fundo do aquário, o macho torna a envolvê-la com o corpo. Este processo repete-se durante várias horas.



Eclosão dos ovos


Depois de a fêmea ter libertado todos os ovos, há ainda, geralmente, um certo número de abraços improdutivos. Por fim a fêmea resiste ao abraço do macho e este, furioso, persegue-a cheio de agressividade. Nesta altura tem de se retirar a fêmea do aquário, quando não o macho pode mutilá-la ou até matá-la.
Após o desaparecimento da fêmea o macho comporta-se como um pai extremoso. Fica de guarda abaixo do ninho, mantendo-o em boas condições, soprando novamente em direcção a ele os ovos que caem e afastando os intrusos. E aconselhável deixá-lo em paz durante esse período. Quando são perturbados, os machos podem destruir o ninho e comer os ovos.
Uma boa desova de um casal de Bettas pode produzir 500 ovos. Acontece muitas vezes, sobretudo com fêmeas jovens, os primeiros abraços serem improdutivos. No entanto, e à medida que o macho vai repetindo o abraço, aparecem alguns ovos. Cada abraço produz em média 20 ovos.
No caso de não se ter assistido à desova e de não se saber se o ninho contém ovos, deve estudar-se cuidadosamente a composição dele. Os ovos são brancos e não é fácil detectá-los, mas um exame cuidadoso permitirá descobrir bolhas de ar brancas do mesmo tamanho das bolhas transparentes que compõem o ninho. São essas bolhas que contêm os ovos, e devem ser procuradas no fundo do ninho, que tem portanto de ser examinado pelo lado de baixo.
Ao fim de 30 horas e a uma temperatura de 26 °C os ovos começam a eclodir. Os alevins, que têm ainda o saco vitelino agarrado ao corpo, ficam pendurados do ninho em posição vertical. O fundo do ninho parece vibrar com o movimento dos alevins. De vez em quando um deles cai para o fundo do aquário, mas o pai, sempre vigilante, agarra-o na boca e torna a soprá-lo para o ninho. Durante esta primeira fase os alevins não comem, alimentando-se do saco vitelino, que continuam a absorver durante as 36 a 48 horas seguintes. Depois de o terem absorvido completamente, os alevins assumem uma posição horizontal, começam a nadar e abandonam o ninho. O pai deixa então que este se desfaça e tenta manter os alevins em cardume. Convém no entanto retirá-lo do aquário de criação assim que os alevins começam a nadar. Caso permaneça no aquário, perde ao fim de pouco tempo os instintos paternais que nele foram despertados pelo acto sexual e come os alevins que criou com tantos cuidados. 
Alimentação dos alevins, assim que começam a nadar, os alevins precisa de um alimento de textura muito fina. Deve-se portanto fornecer-lhes várias vezes ao dia infusórios esverdeados ou uma infusão de gema de ovo. Depois dos dias de idade os alevins podem comer micro vermes e os dez dias dáfnias coadas por uma perneira mais fina "camarões de salina" acabados de nascer. Dai em diante, crescem rapidamente. Como não crescem todos por igual, deve fazer-se uma escolha periodicamente para separar os peixes maiores dos mais pequenos, pois de outra maneira os que se desenvolvem mais rapidamente comem os mais pequenos.
O labirinto característico dos Bettas não existe ainda nos alevins e só começa a desenvolver-se quando atingem os dez dias de idade. O labirinto é uma câmara óssea situada na cabeça que permite ao peixe extrair o oxigénio da atmosfera. Um Betta sobe à superfície, engole o ar e pouco depois expele pelas guelras o ar cujo oxigénio extraiu. Enquanto o labirinto está em formação, os alevins são muito frágeis, pelo que tem de se ter o maior cuidado para evitar a poluição da água. A superfície da água tem também de ser mantida a uma temperatura constante. Deve pois colocar-se uma chapa de vidro em cima do tanque, que será equipado com um aquecedor controlado por um termóstato. A aeração deve ser moderada e, como já se sabe, não se pode utilizar filtros em aquários de criação cujos peixes estão a ser alimentados com infusórios.



Aquários de reprodução para construtores de ninhos de bolhas de ar


Os aquários para a reprodução destes peixes não requerem um equipamento complicado. O tamanho do aquário dependerá do tamanho dos reprodutores seleccionados. O Colisa latia pode reproduzires em um aquario, de 25 litros os Bettas em num aquário de 5 litros; o Trichogaster leeri e o Trichogaster trichopterus em geral utilizam na reprodução, um aquário o mais espaçoso possível. A altura da água não deve exceder os 15 cm.
Tem de se regular o aquecedor de maneira a manter essa pequena altura de água à temperatura adequada. Não convém cobrir de cascalho o fundo do aquário, mas pode colocar-se a um canto deste um maciço de Anacharis ou de Myriophyllum, fixo com uma pedra ou com uma tira de chumbo. Alguns peixes construtores de ninhos de bolhas de ar, tais como o Colisa lalia e o Trichogaster leeri, e por vezes também os Bettas, gostam de incorporar nos ninhos as folhas delicadas de certas plantas, ou de prender o ninho a uma planta. É por essa razão que convém colocar sempre no aquário de criação fetos flutuantes e alguma Riccia. A água do aquário de reprodução deve ser água velha de outro aquário, que contenha se possível algum sedimenta aspirado do fundo de um aquário antigo. Este tipo de água contém sempre uma certa quantidade de infusórios, que servem de primeiro alimento aos alevins.
Caso não se disponha de um aquário com uma divisória para manter a fêmea separada do macho, pode utilizar-se para o efeito um boião de vidro de litro. Fazem-se algumas experiências para determinar qual a quantidade de água que se há-de introduzir no boião para o manter a flutuar dentro do aquário, com a abertura um pouco acima do nível da água. Pode também introduzir-se a fêmea no aquário dentro de uma caixa de vidro igual às que servem para o parto dos vivíparos. Quando se procede ao condicionamento do casal de reprodutores, deve manter-se a fêmea fora das vistas do macho e vice-versa, até que se dê o processo por acabado. Assim que o macho constrói o ninho, junta-se o casal. Se os peixes estão separados mas à vista um do outro, acontece frequentemente que a fêmea liberta prematuramente os ovos ou que estes são reabsorvidos nos tecidos do corpo.


Relação entre a construção do ninho e a temperatura da água


Fizeram-se já estudos experimentais da relação entre a temperatura da água e a construção do ninho pelos Bettas. Verificou-se assim que a temperatura da água tinha grande influência como factor estimulante da desova. Os Bettas mantidos a uma temperatura compreendida entre os 23 e os 25 °C não construíram ninhos, a 25,5 °C, construíram dois ninhos, a 26 °C sete; a 26,5 °C, 27° C, quatro, e a 27,7 °C, um. Os números são eloquentes. A 26,5° C, os machos podiam fertilizar de dois em dois ou de três em três dias, e as fêmeas desovavam de sete em sete dias. A temperatura mais baixas as desovas era menos frequente. Se bem que os Bettas possam reproduzir-se a partir dos quatro meses de idade, é preferível impedir que isso aconteça antes dos oito meses. A reprodução precoce retarda o desenvolvimento do peixe, que leva assim mais tempo a tornar-se num exemplar adulto perfeito.