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Peixes de Hábitos invulgares

 


· Rhodeus sericeus
· Os Nematocentrus
· Anoptichthys jordani
· Dermogenys pusilius (Peixe-agulha)
· Helostoma rudolfi (Beijador)
· Peixes que andam


Rhodeus sericeus

Trata-se de uma espécie oriunda da Europa. O Rhodeus sericeus parece-se com um peixe-vermelho de cores desmaiadas. O interesse deste peixe reside nos seus hábitos de reprodução muito invulgares.
O hospedeiro e protector dos ovos durante a incubação é o mexilhão de água doce, ou antes, vários tipos de mexilhões de água doce.
Sendo um peixe de águas temperadas, o Rhodeus sericeus reproduz-se a temperaturas compreendidas entre os 21 e os 23,5 °C. A desova tem geralmente lugar na Primavera e no princípio do Verão. O aquário de reprodução pode ter uma capacidade de apenas 25 litros. O fundo do aquário deve ser recoberto de uma camada de cascalho de vários centímetros de altura, para alojar os mexilhões. Introduzem-se primeiro no aquário quatro ou cinco mexilhões, e deixa-se que se instalem. Os mexilhões enterram-se parcialmente no cascalho e deslocam-se assim até encontrarem um lugar que lhes agrade. Depois de estarem instalados, podem introduzir-se no aquário as plantas de qualquer tipo, de raiz ou flutuantes e os peixes.
O macho é ligeiramente maior. A fêmea tem um perfil ventral convexo. Na época da reprodução o macho tem a barbatana anal de cor-de-rosa claro ou vermelha, orlada de preto. À medida que a fêmea é condicionada, o ovipositor começa a crescer. No momento da desova a parte do ovipositor que pende do corpo da fêmea pode ter 3,5 cm de comprimento.
O macho persegue activamente a fêmea a toda a volta do aquário, parando de vez em quando para examinar os mexilhões. Depois de ter escolhido um deles, atrai a fêmea até junto do hospedeiro escolhido. Enquanto o macho espera, ansioso e fremente, a fêmea insere a ponta do ovipositor dentro da concha do molusco bivalve e deposita um ovo. O macho solta o esperma, que é aspirado pela corrente de água criada pelo molusco. A fêmea deposita apenas um ou dois ovos em cada molusco, mas a desova pode demorar uma semana. No caso de se desejar obter mais ovos, podem retirar-se do aquário os mexilhões que contêm os ovos, substituindo-os por outros novos. Os alevins absorvem o saco vitelino ainda dentro da concha do mexilhão. Quando emergem, ao fim de várias semanas, devem ser alimentados com comida de textura muito fina.



Os Nematocentrus


O Nematocentrus nigrans e o Nematocentrus macculochi, duas espécies originárias da Austrália, são bastante raros em aquário.
Trata-se de duas espécies bonitas e robustas, que suportam temperaturas relativamente baixas. Nenhuma delas é muito prolífica, mas ambas desovam com facilidade.
Os exemplares destas duas espécies devem ser mantidos em aquários bastante grandes. Devem colocar-se nas duas extremidades do aquário grandes quantidades de plantas de folhas estreitas, deixando o centro livre. A desova é frequente a uma temperatura de 23,5 °C. Os ovos são cor de âmbar claro e bastante grandes, ficam suspensos das plantas por filamentos adesivos finos. A incubação dura cinco dias e os alevins levam mais dois ou três dias a absorver o saco vitelino. Quando começam a nadar, devem ser alimentados com infusórios muito finos, água esverdeada e alimentos secos em pó de textura muito fina. Se forem bem alimentados, os adultos não comem os ovos ou os alevins.
Em adulto, o macho do Nematocentrus nigrans distingue-se da fêmea pelas suas cores mais vivas. As barbatanas dorsais duplas e a barbatana anal são também mais compridas e mais pontiagudas no macho.
O macho adulto do Nematocentrus macculochi caracteriza-se por um colorido muito mais brilhante do que o da fêmea.


Anoptichthys jordani


Este peixe é completamente cego, o que torna muito mais interessante o seu comportamento na reprodução. Como é que dois peixes cegos conseguem encontrar-se e reproduzir-se? E como é que encontram alimento? Tem aparentemente reflexos muito aperfeiçoados. Quando encontram um obstáculo no seu caminho, desviam-se no momento em que lhes tocam, evitando assim um choque violento. Em aquário em breve escolhem uma rota, que seguem constantemente. O único peixe desta espécie que vi imóvel estava confinado num pequeno aquário globular. Não podia deslocar-se mais do que alguns centímetros em qualquer direcção e essa impossibilidade de fixar uma rota parecia desorientá-lo, levando-o a adoptar uma imobilidade absoluta.
Estes peixes andam sempre à procura de comida, e em breve aprendem a localizar o comedouro flutuante. Sempre que a calma do aquário é perturbada, precipitam-se para ele. Infelizmente abocanham todos os objectos macios em que tocam, pelo que os exemplares grandes podem ser perigosos para os outros peixes do aquário. Têm um olfacto e um tacto muito apurados, assim como uma percepção muito aguçada das vibrações da água. Se estendermos a rede em frente de um desses peixes, continua a nadar em direcção a ela, mas temos de ser muito rápidos para o apanhar, quando não dá a volta e foge velozmente. É quase impossível apanhá-los perseguindo-os com a rede, os Anoptichthys sentem o movimento da água e fogem dela.
Os exemplares desta espécie reproduzem-se com facilidade. Os pais devem ser condicionados em aquários separados. Apesar da sua cegueira, encontram facilmente os alimentos vivos, sobretudo se estes forem deitados para o aquário sempre no mesmo lugar. Deve utilizar-se para a reprodução, um aquário de 75 a 100 litros, muito bem plantado com plantas de folhas estreitas, que servem de esconderijo aos peixes. Pode utilizar-se para o efeito Myriophyllum, Nitella ou um substituto sintético.
Os reprodutores devem ser colocados no aquário de reprodução ao fim do dia. A desova pode ter lugar em qualquer momento, mas dá-se geralmente antes do meio-dia. Os peixes nadam à toa pelo aquário, chocando um contra o outro e esfregando os corpos. Daí a algum tempo tem início a desova. (Os ovos são libertados pela fêmea e fertilizados pelo macho.) Os ovos são ejectados para a água mais ou menos ao acaso, aderindo às plantas. O esperma, que é também ejectado para a água, atinge o alvo, pois fertiliza uma percentagem elevada de ovos. Os dois membros do casal comem os ovos se permanecerem durante muito tempo no aquário, pelo que devem ser logo retirados. Os alevins saem do ovo ao fim de 36 a 48 horas, a uma temperatura de 23 °C. Comem primeiro infusórios pequenos e depois dáfnias coadas pela peneira mais fina e camarões de salina recém-nascidos.
Se bem que os alevins desta espécie sejam todos cegos, os olhos vestigiais varia de indivíduo para indivíduo. Nalguns exemplares a cavidade do olho está tão bem tapada que é quase impossível detectá-la. Noutros o olho vestigial pode ir de um pequeno ponto preto a uma formação muito semelhante a um olho.


Dermogenys pusilius (Peixe-agulha)


Este peixe de água doce é vivíparo, mas os seus métodos de reprodução são muito diferentes dos outros peixes vivíparos. Este peixe de aparência estranha e delicada, cujo maxilar inferior se prolonga em forma de bico, raramente aparece à venda no mercado, apesar de ser muito apreciado pelos aquariofilistas mais entendidos. É um habitante das áreas superiores do aquário, que gosta de se esconder entre maciços densos de plantas flutuantes, tais como Riccia. Algas macias ou plantas tenras constituem um elemento essencial da sua dieta. Se bem que aceite comida seca, prefere alimentos vivos, tais como dáfnias ou larvas de mosquito, que é o seu alimento preferido. Quando se fornecem minhocas ou vermes a estes peixes, tem de se evitar que caiam para o fundo do aquário, pois o Dermogenys só se alimenta à superfície ou perto dela. Convém alojar no aquário destes peixes e de outros do mesmo género alguns Corydoras, para limpar o fundo do aquário. Os Dermogenys apreciam uma água a que se tenha acrescentado algum sal à razão de 2 colheres de chá de sal para cada cinco litros de água, ou de 5 litros de água salgada para cada 25 litros de água doce. Desde que consigam sobreviver, os Dermogenys reproduzem-se com facilidade em aquário, mas pouco sabemos dos seus hábitos de reprodução. O macho é mais pequeno e mais esguio do que a fêmea, e tem um ponto vermelho na barbatana dorsal. Cada parto produz de doze a trinta e seis alevins. Estes são bastante grandes quando nascem e podem ser alimentados com camarões de salina recém-nascidos e com dáfnias coadas pela peneira mais fina. Pensa-se que a fêmea precisa de uma nova fecundação depois de cada parto. Ao contrário dos Poecilídeos, não armazena o esperma.
Se os adultos forem bem alimentados e se o aquário contiver muitas plantas que possam servir de esconderijo aos alevins, estes podem ser mantidos no mesmo aquário dos pais. Não convém mudar os peixes de aquário a não ser quando tal se torne absolutamente necessário. Os exemplares desta espécie não gostam de águas frescas e adaptam-se com dificuldade a um novo ambiente. Não se pode perturbar a fêmea quando está prenhe, pois nessa altura é muito frágil.


Helostoma rudolfi (Beijador)



Este peixe desperta sempre grande interesse em aquário. Toda a gente quer ver o beijo dos Helostoma. Os peixes beijam-se frequentemente depois de comerem, com uma finalidade que nos é por enquanto desconhecida. Todos os indivíduos se beijam indiferentemente, incluindo os do mesmo sexo. Por vezes esse beijo parece ser uma competição. O primeiro que desiste é perseguido e maltratado pelo outro. Pode tratar-se de uma competição para a imposição de domínio. Apesar da sua aparência e tamanho os Helostoma de aquário atingem os 15 cm de comprimento, e no seu habitat natural podem atingir os 30 cm são geralmente muito pacíficos para com os outros peixes. Comem também uma pequena quantidade de algas, mas não tantas como por vezes se pensa. Devem ser alimentados várias vezes ao dia.


Peixes que andam


Estes peixes chamam sempre a atenção, onde quer que sejam exibidos. O mais vulgar é o Anabas testudineus, para além dessa qualidade, o Anabas em nada se distingue. É um peixe de cores mortiças e corpo espesso, que se assemelha vagamente a um Ciclídeo. É muito glutão e demasiado agressivo para um aquário de interior.
Os peixes adultos têm cerca de 10 cm de comprimento. Os sexos diferenciam-se então pelo estômago arredondado e pela espessura do pedúnculo caudal que caracterizam a fêmea.
Dado que estes peixes são muito glutões e comem de tudo, podem ser condicionados com quaisquer alimentos. Basta fornecer-lhes as quantidades que eles queiram comer de alimentos vivos, frescos ou secos.
A reprodução faz-se num aquário de 50 litros, de água ligeiramente alcalina e a uma temperatura de 26 °C.
Os ovos são grandes e flutuam à superfície. Os pais não tentam comê-los.
Os alevins saem do ovo ao fim de dois dias, devendo ser alimentados com infusórios e ao fim de duas semanas com camarões de salina recém-nascidos.
Os alevins do Lebistes reticulatus, não apreciam os vermes e raramente comem dáfnias. Há excepções, mas são raras.
O comportamento destes peixes para com os seus irmãos da mesma espécie é no entanto muito menos amável. Quando dois exemplares da mesma espécie são alojados no mesmo aquário, um deles maltrata frequentemente o outro. O peixe maltratado acaba por perder a coragem, deixa de comer e morre, a menos que seja transferido a tempo para outro aquário. Mas mesmo quando isto acontece, essa mudança nem sempre vai a tempo. Por vezes o peixe está já tão desmoralizado que morre na mesma.
Estes peixes têm de ser mantidos a uma temperatura elevada. Se apanharem frio, morrem. Se bem que uma descida súbita da temperatura da água os não mate imediatamente, começam a definhar e morrem ao fim de algumas semanas. A temperatura da água do aquário de reprodução deve ser de 27,5 a 29° C. O pH deve ser alcalino, 7,5. A identificação do sexo destes peixes é muito difícil. Não apresentam características distintas, mas as fêmeas, vistas de cima, são ligeiramente mais largas do que os machos. A identificação dos sexos torna-se geralmente mais fácil num grupo, os peixes mais gordos são as fêmeas e os mais magros são os machos.
O aquário de reprodução deve ser grande e ter a superfície coberta de plantas.
Depois de uma exibição e de uma perseguição prévia, o macho abraça a fêmea, colocando-se de modo a que os corpos de ambos formem um ângulo recto e enrolando o corpo em torno do da fêmea, que liberta os ovos, estes são imediatamente fertilizados pelo macho. Os pequenos ovos amarelos esverdeados flutuam até à superfície e ficam escondidos entre as plantas. Estas devem ser muito densas, pois os pais são vorazes comedores de ovos. A postura pode produzir de 400 a 3000 ovos. Depois da desova podem retirar-se os pais do aquário. Não há nenhum registo escrito da construção de ninhos por parte destes peixes. A incubação dos ovos dura um dia apenas, mas os alevins levam vários dias a absorver o saco vitelino e só depois começam a nadar. Devem então ser alimentados com infusórios muito pequenos ou com um alimento seco em pó muito fino. Deve ter-se o maior cuidado com a limpeza da água. O aparelho respiratório auxiliar dos alevins (o labirinto) só ao fim de cerca de quinze dias se começa a desenvolver, e entretanto os pequenos peixes são muito delicados. O aquário tem de estar bem tapado com uma tampa de vidro hermética, para manter constante a temperatura da água.
Os adultos dão-se muito bem com alimentos secos de vários tipos. Apreciam os espinafres moídos, os camarões secos, a farinha de folhas.