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Paracheirodon innesi (Néon)
· Dificuldade de identificação dos sexos
· Métodos de reprodução que recomendo
A doença do Néon
Os sintomas aparentes das duas doenças que mais afectam o néon são semelhantes. Uma dessas doenças é uma forma de tuberculose. O organismo que causa a tuberculose é específico de alguns peixes, e a doença não pode ser transmitida aos seres humanos. A outra doença, geralmente confundida com a tuberculose, é uma microsporidiose causada pelo parasita Plistophora hyphessobryconis.
Os sintomas da doença, que só se manifestam quando esta se encontra já num estádio bastante avançado, são o empalidecimento de uma certa área da pele do peixe, que de vermelha passa a cor-de-rosa, tornando-se depois numa mancha branca. O peixe começa a definhar e acaba por morrer. Nos seus primeiros estádios indetectáveis, esta doença deve estar na origem de muitos casos de esterilidade dos Paracheirodon. Ambas as doenças são contagiosas para os outros peixes da mesma espécie e talvez também para outras espécies aparentadas, de modo particular o Hyphessobrycon gracilis e o Hyphessobrycon heterorhabdus ou ulreyi, mas não parece afectar outros peixes de parentesco mais distante
ou não aparentados com este. Todos os peixes afectados pela doença devem ser destruídos, ou pelo menos segregados.
A tuberculose pode ser tratada com sulfato de estreptomicina, numa concentração de 150 miligramas para cada 4,5 litro de água. Se bem que o aquariofilista não possa estar certo de que se trata de uma tuberculose e não da outra doença de sintomas semelhantes, pode sempre tentar o tratamento com estreptomicina.
A maioria dos criadores é de opinião que, devido a estas doenças, os Paracheirodon não podem viver mais do que um ano em cativeiro. Esta opinião parece-nos demasiado pessimista.
Se forem alojados em boas condições e receberem quantidades suficientes de alimentos de tamanho apropriado, pois estes peixes têm uma boca muito pequena, os Paracheirodon podem resistir a essas doenças. A registo de peixe desta espécie que vivem mais de cinco anos, e não se trata de um recorde, sei de pessoas que têm conseguido resultados ainda melhores. Não perca portanto a coragem. Os peixes desta espécie não devem ser mantidos juntamente com outros peixes maiores, ou com um número excessivo de peixes que devorem toda a comida, convenientemente tratados, os Paracheirodon são peixes robustos, de uma beleza rara. Se dedico uma alínea completa a estas doenças características dos Paracheirodon apesar de não abordar neste site o tema das doenças dos peixes, é porque, como já disse, estas doenças estão na origem de muitos dos fracassos registados pelos criadores que tentam reproduzi-los. Um peixe que teve já a doença, numa forma benigna e insuspeitada embora, torna-se provavelmente estéril.
Dificuldade de identificação dos sexos
Uma outra causa de muitos fracassos na reprodução dos Paracheirodon reside certamente na dificuldade que há em identificar o seu sexo. Uma fêmea não condicionada para a reprodução muito dificilmente pode ser distinguida do macho. Muitos negociantes de peixes vendem um par de fêmeas como se tratasse de um casal, embora sem qualquer intenção de enganar deliberadamente o comprador.
A maneira mais segura de identificar o sexo dos peixes consiste em examiná-los de perfil. O estômago do macho forma uma linha quase direita até ao maxilar estreito, o da fêmea forma primeiro uma curva descendente, o corpo continua depois em linha ascendente, descrevendo em seguida uma linha recta até à cauda. Com um pouco de prática, pode reconhecer-se esta diferença. Publicaram-se já muitos artigos em que se apresentam descrições pormenorizadas dos métodos de reprodução dos Paracheirodon innesi. Infelizmente alguns desses artigos fazem afirmações contraditórias, a quem dizem que os ovos são adesivos, outros que o não são, uns criadores recomendam para a reprodução uma água pouco calcária, outros dizem que o teor da água em sais de cálcio é indiferente, uns falam-nos de águas ácidas, outros dizem que o pH da água pouco importa, uns dizem que a reprodução deve ser tentada com grupo, outros com um casal.
Métodos de reprodução que recomendo
De uma maneira geral, procediam da seguinte maneira. Os sexos eram condicionados separadamente, em aquários de 75 litros cheios de água canalizada velha e bem plantados com várias Cryptocorynes. Os reprodutores eram condicionados à base de camarões de salina, dáfnias pequenas e micro vermes. Se bem que estes últimos sejam muito pequenos para os Paracheirodon adultos, eles parecem apreciá-los. A alimentação do período de condicionamento não incluía alimentos secos, se bem que estes peixes os aceitem bastante bem.
A desova tinha lugar num aquário de 25 litros. O aquário era bem lavado e cheio com água canalizada fria. O criador colocava no centro do aquário um molho de Myriophyllum fixo ao fundo com um peso de chumbo. O aquário era colocado num canto mal iluminado da sala. Quarenta e oito horas mais tarde o criador escolhia um macho de cores brilhantes que desse mostras de uma actividade intensa e introduzia-o no aquário de manhã. A fêmea, seleccionada pelo seu aspecto roliço e vigoroso, era introduzida no aquário de reprodução ao fim desse mesmo dia. A desova tinha geralmente lugar na manhã seguinte. O casal punha os ovos enquanto pairava sobre as plantas. Se o casal não desovava ao fim de 48 horas, era retirado do aquário, desfaziam-se os preparativos e na próxima tentativa recomeçava-se tudo do princípio.
Depois da desova, os pais eram retirados do aquário. A eclosão dos ovos dá-se ao fim de 24 a 48 horas, mas os alevins só ao fim de mais cinco dias começam a nadar. Quando começam a fazê-lo, devem ser alimentados várias vezes ao dia com infusórios finos ou com um substituto constituído por uma infusão de gema de ovo. Com duas semanas de idade podem começar a comer camarões recém-nascidos. Só quando os peixes têm cerca de dois meses de idade se manifesta a luminescência típica da espécie. Água ácida e pouco calcária, parcialmente mudada por várias vezes a temperatura da água compreendida entre os 22 e os 24 °C.
A reprodução tem sido feita com casais isolados, os, quer com grupos de três fêmeas e cinco machos. Os ovos são muito susceptíveis aos ataques dos fungos e de certas bactérias. A água do aquário tem portanto de estar absolutamente limpa. As plantas devem ser desinfectadas durante dez minutos numa solução de 1 colher de sopa de alúmen para 2 litros de água. Devem ser depois muito bem lavadas em água fervida limpa. Lava-se o aquário, enchendo-o até às bordas com água morna, que é saturada com sal. Vai-se acrescentando sal até que este se dissolva. Mergulha-se o tubo do aeração, a pedra difusora, a tampa de vidro e as próprias redes nesta solução durante 24 horas, e só depois se prepara o aquário.
Os peixes parecem reproduzir-se com mais facilidade entre os oito e os doze meses de idade.
Os Néons não gostam de muita luz. O aquário de reprodução deve ser pouco iluminado e ficar completamente às escuras até à eclosão dos ovos. Quando os alevins começam a nadar, devem retirar-se as plantas do aquário.
Não creio que haja um segredo que assegure o êxito na reprodução desta espécie. Esse êxito depende provavelmente de uma combinação de factores, alguns dos quais não podemos controlar.